quinta-feira, 10 de março de 2016

Seminário Técnico da Associação Shitōkai do Brasil

Nos dias 5 e 6 de Março de 2016, aconteceu o primeiro Seminário Técnico da Associação Shitōkai do Brasil. O treinamento foi realizado na Academia Koi Fitness, Honbu Dōjō da Associação Shitōkai do Brasil, sob a responsabilidade do Jun-shihan Rogério Saito, Diretor Técnico em nível nacional. 

Participaram do evento Faixas Pretas e Faixas Marrons oriundos de diversas partes do Brasil, tais como: Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (Interior e Capital).

Como já é um costume dentro dos encontros realizados dentro da Shitōkai, seja em nível nacional ou internacional, a convivência entre os membros demonstrou um clima familiar onde se busca o crescimento de todos através da disponibilização de referências técnicas e teóricas, baseadas no conhecimento repassado pelos diversos mestres existentes dentro da escola Shitōkai, que tem como expoente máximo nas Américas o Kyōshi Shōkō Satō.

A Associação Gaúcha de Karatedō Shitōryū marcou presença no treinamento através do seu Diretor Técnico, Denis Andretta, e dos graduados David Chimango e Rafael Ilhescas.

O Presidente da Associação Shitōkai do Brasil, Ivonei Dambros, e o Diretor Técnico, Rogério Saito, como sempre mostraram um conhecimento impar acerca do Karatedō Shitōryū e, da mesma forma, receberam os representantes oriundos de diversas localidades de forma muito acolhedora, dando toda a atenção possível e necessária a cada uma das delegações.

O Seminário Técnico foi dividido em três etapas, no Sábado, pela manhã e pela tarde e no Domingo pela manhã. Apontamento de referências, discussões teóricas para fundamentar a prática, participação e respeito ao conhecimento e aos questionamentos de todos, ensino e aprendizagem... resumem os aspectos abordados durante todos os treinamentos.

Em complementação e aproveitando a presença dos Representantes Oficiais da Associação Shitōkai do Brasil de todo os país, também foi realizada a Assembleia Geral da Entidade, no Sábado à noite. O relato e a avaliação do trabalho realizado no ano que passou, propostas de trabalho para este ano, realização e participação em eventos foram alguns dos temas abordados durante a reunião.
“Fantástico! Palavras não podem descrever a sensação, o clima, vivenciado durante os encontros dos membros da Associação Shitōkai do Brasil. Rever velhos amigos, fazer novas amizades, e o mais importante... aprender com todos... são vivências que não tem preço. 
Sinto-me honrado com a atenção, a recepção e o respeito com que o Jun-shihan Rogério Saito demonstra a cada vez que nos encontramos. Sou profundamente agradecido pelos seus aconselhamentos, correções e pelo reconhecimento do nosso trabalho aqui no Rio Grande do Sul. 
Estar ao lado de meu Sensei, Ivonei Dambros, trocar ideias, ouvir seus relatos, usufruir de seus conhecimentos, são sempre uma experiência única. 
Retornei a Porto Alegre, no Domingo, ansioso pela chegada do mês de Junho de 2016, quando os professores Ivonei Dambros e Rogério Saito estarão em nossa cidade em função da realização de uma das etapas do Campeonato Brasileiro de Karate. Com certeza, organizaremos um treinamento para aproveitar a presença de ambos.” (Andretta, Denis)
---------------------------------------------------------------------------------------






domingo, 21 de fevereiro de 2016

Kobudō

O estudo das antigas armas relacionadas com as artes marciais tem resultado, com o passar dos séculos, no desenvolvimento de uma variedade de escolas, sistemas e estilos.

Os habitantes do arquipélago Ryūkyū, antigo nome de Okinawa, chamavam esta prática de "Kobujutsu", arte que com o passar dos anos passou a ser denominada "Kobudō".

Traduzindo literalmente a palavra, temos:
  • Kanji: 古武道
  • Romaji: Kobudō
  • Hiragana: こぶどう
  • Tradução: “via marcial antiga”, “caminho marcial antigo”.
  • Leitura: “côbúdôô”.
Há cerca de 400 anos, o Japão começou a assumir o controle sobre as ilhas Ryūkyū. Um dos éditos promulgados na época forçava toda a população do arquipélago a entregar suas armas aos japoneses. A lei proclamada ordenava especificamente que "todas as armas" fossem entregues as autoridades.

Sendo assim, os habitantes de Ryūkyū passaram a usar "implementos agrícolas" como armas, as quais se treinavam a eficiência as ocultas. Com o passar do tempo estes especialistas em "armas", se tornaram à força mais temida na luta pela liberdade no arquipélago. 

Em 1879 o Reino Ryūkyū foi extinto e substituído pela Prefeitura de Okinawa pelo governo japonês. A “nova” Okinawa, com o passar dos anos, passou por um processo de revolução industrial e a maior parte destes rudes implementos agrícolas foi substituída por instrumentos mecânicos. 

Contudo, a história destas armas continua viva como parte da rica tradição das artes marciais do arquipélago, onde representam um importante papel.

Desde tempos remotos, o Karatedo e o Kobudo caminham em comunhão. Sendo assim, os praticantes atuais de Karatedō, como seus predecessores, continuam aperfeiçoando técnicas de armas através das formas (Kata) em uma arte marcial praticada paralelamente e nesta arte conhecida como Kobudō, especificamente destinada a aumentar a eficiência de movimentos direcionais, alinhamento corporal, equilíbrio, graça e coordenação entre o corpo e a arma, pois uso de armas exige uma integração harmoniosa entre a arma e a pessoa que a maneja, como se fosse a arma uma extensão de seu próprio corpo e nunca um "apêndice".

A prática do Kobudō, embora não faça formalmente parte do Karatedō, é dele inseparável sob o ponto de vista histórico. Os Karateka estão, de uma forma ou outra, envolvidos com a prática do Kobudō. 
“Karatedō e Kobudō são como as duas rodas de uma bicicleta. Estão separados, mas funcionam de acordo com os mesmos princípios. Para serem úteis, têm que trabalhar juntos.” (Fumio Demura)
A diferença entre as duas práticas tem sido a de que, historicamente, a prática do Kobudō não foi tão sistematizada quanto a do Karatedō. Porém, o surgimento de várias associações desta arte marcial, com o passar do tempo, tem se iniciado uma tendência de sistematização no treinamento das técnicas e Kata a ponto de, mesmo, terem sido incorporados a alguns dos sistemas tradicionais de Karatedō existentes, tais como: Shōrinryū, Shitōryū, Gōjūryū, Isshinryū, etc...

As principais armas tradicionais do Kobudō de Okinawa são: Bō, Sai, Tonfā, Kama, Nunchaku, Suruchin, Jiifā, Uēku, Tekkō, Techū, Tinbē e Rōchin.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

10 palavras japonesas que quase todo mundo se equivoca em Karatedō

O Karatedō pode ser bem complicado. 

Especialmente no que se refere aos termos japoneses.

Assim como a medicina tem o “latim” e a Matemática tem os números, o Karatedō tem a Língua Japonesa (Nihongo). 

Infelizmente, muitas pessoas ficam confusas com as palavras japonesas usadas em Karatedō. 

Se não se entende a terminologia, não se pode aprender ou ensinar o Karatedō de forma adequada. 

E é justamente por isso que quero falar sobre 10 palavras japonesas que quase todo mundo se equivoca em do Karatedō. 

Espero que isto o ajude a entender melhor o Karatedō. 

Vamos lá:

# 1: Uke 

Sentido mal compreendido: "Bloqueio". 

Verdadeiro significado: "Receber". 

Explicação: A palavra "Uke[1]" vem da palavra japonesa "Ukeru[2]", que significa "receber". 

Porém, por alguma razão, no mundo ocidental isso foi interpretado como "bloquear". 

Acredito que este equívoco seja prejudicial para o avanço do praticantes em níveis mais elevados, e que, da mesma forma, não reflete a intenção original dos movimentos defensivos do Karatedō. 

Mude a sua mentalidade de "bloquear" para "receber". Toda a sua percepção de como aplicar o Karatedō contra um adversário maior ou mais forte vai mudar. Passa a confiar mais na técnica, e menos na força bruta. 

Isso é algo que sempre ensino em meus seminários internacionais. 


Sentido mal compreendido: "Super poder mágico". 

Verdadeiro significado: "Energia". 

Explicação: O conceito de "Ki[3]" ("Qì[4]" ou "Ch’i" em chinês) tem obtido uma má reputação desde que alguns charlatães, lideres de alguns “Mc Dojos”, começaram a usá-lo como uma forma para fazer uma espécie de lavagem cerebral em seus alunos, tentando levá-los a acreditar que possuem habilidades marciais sobrenaturais - tais como, o nocaute “sem toque”. 

Mas não há nada de novo. "Ki" - ou "energia" como é chamado, em Português - é a energia da qual a vida é feita. Energia que constantemente flui através do corpo, e do seu entorno, o vento, a água, a terra e o sol. 

De acordo com as leis da física, você não pode criá-lo ou destruí-lo apenas transferi-los para outros objetos ou converter em diferentes formas (energia cinética, energia potencial, energia térmica, energia elétrica, etc...). Os seres humanos cultivam esta “energia” desde que apareceram na Terra. 

Acredito que o "Ki" é algo bonito - especialmente quando você o manifesta usando a mecânica do corpo, dentro do Karatedō. 

Afinal de contas, Karatedō é sobre a gestão da energia de forma eficiente. 


Sentido mal compreendido: "Instrutor de Karatedō". 

Verdadeiro significado: "Aquele que veio a vida antes". 

Explicação: A palavra "Sensei" consiste em duas partes: 
  • A primeira é “Sen[5]”, que significa “antes”; 
  • A segunda é “Sei[6]”, que significa “vida”. 
Em outras palavras, um "Sensei[7]" é alguém que está à sua frente na jornada da vida. É justamente por isso que um Sensei não é apenas uma pessoa que instrui técnicas de Karatedō. 

O Sensei é um mentor. Um treinador de vida. 

Os seus Sensei podem ajudá-lo a preencher a lacuna entre autoproteção e autoperfeição. 

Porque em última análise, o "Caminho" do Karate é um modo de vida. 

Um Sensei sabe disso, porque ele tem percorrido este caminho (há bastante tempo) e está disposto a guiar, quem queira segui-lo, na viagem. 

A questão é: Está pronto para segui-lo? 


Sentido mal compreendido: "Aplicação prática dos Kata". 

Verdadeiro significado: "Análise". 

Explicação: Muitos praticantes de Karatedō, inclusive eu, gostam de usar técnicas dos Kata para autodefesa. 

(Afinal de contas, era essa a intenção original.) 

Ensinando Bunkai no meu seminário anual KNX. (Leia mais

Costumamos chamar este aspecto do treino de Karatedō de "Bunkai". 

Explicação: A palavra "Bunkai[8]" consiste em duas partes: 
  • A primeira é “Bun[9]”, que significa “parte(s)”;
  • A segunda é “Kai[10]”, que significa “entender”. 
Na realidade, "Bunkai" significa "Análise" (como análise entenda-se “entender as partes”) - não "aplicação prática dos kata". 

"Bunkai" é na verdade apenas o primeiro passo para aplicar os Kata em autodefesa prática. 

Depois de "entender as partes" do Kata, é preciso analisar cada uma das partes para colocá-las novamente no contexto correto. Falei sobre isto no artigo intitulado "Os diagramas dos Bunkai". 

Porém, para a maioria das pessoas, parece que a palavra "Bunkai" representa todo este processo. 

É por isso que uso a palavra "Bunkai" desta forma mesmo, embora saiba que isto é incorreto. Afinal, o objetivo da terminologia é comunicar - e não provar um ponto. 

No entanto, quando estou no Japão ou em Okinawa, raramente uso a palavra "Bunkai" quando quero saber a aplicação de um movimento do Kata. 

Ao invés disso, uso a palavra"Imi[11]" (literalmente o "significado" [de um movimento]). 


Sentido mal compreendido: "Academia de Karatedō". 

Verdadeiro significado: "O lugar do caminho". 

Explicação: Muitos instrutores ensinam Karatedō em academias, estúdios de dança, centros comunitários ou outros locais não dedicados exclusivamente ao Karatedō. 

Mas ... não importa onde você ensina / aprende Karatedō, esse lugar é o seu "Dōjō". 

(Isto é válido para todas as artes marciais japonesas tradicionais.) 

O sentido da palavra "Dōjō[12]" é mais profundo do que a maioria das pessoas pensa: 
  • “Dō[13]” significa “Caminho”;
  • “Jō[14]” significa “Lugar”. 
Em outras palavras, um "Dōjō" é o lugar onde se embarca em uma jornada de autodescoberta - através dos métodos de treinamento do Karatedō. 

O "Dōjō" é um lugar onde se é guiado através do caminho, por alguém que "veio antes" (="Sensei"), usando o Karatedō como ferramenta para transmitir o conhecimento necessário para desencadear um progresso pessoal. 

Não é apenas uma "Academia de Karatedō". 

Leitura relacionada: 59 sinais de que seu Dōjō é impressionante.

# 6: Geri 

Sentido mal compreendido: "Chute". 

Verdadeiro significado: "Diarreia". 

Explicação: Aqueles que se inscreveram no “Karate Nerd Insider ™”, provavelmente, se engasgaram com o café quando ouviram isso no episódio intitulado: "Como melhorar o seu Chute Lateral (Yoko-geri)" há duas semanas. 

Mas é verdade! 

Veja, o japonês é uma língua engraçada. 

Se você quer dizer "Chute", é pronunciado "Keri[15]". 

"Keri", por sua vez, vem da palavra "Keru[16]", que significa "chutar". 

Mas se você colocar outra palavra em frente de "Keri", (tal como "Mawashi", "Mae", "Yoko" etc.) a pronuncia altera para "-geri" 

Veja: 
  • "Keri" = "chute";
  • "Mawashi-geri" = "chute circular";
  • "Mae-geri" = "chute frontal";
  • "Yoko-geri" = "chute lateral";
  • "Geri[17]" = "Diarreia".
Claro, quando se escreve em japonês isto não é um problema, porque em japonês os termos são escritos com ideogramas diferentes (conhecido como "Kanji".).

Mas quando não se escreve em japonês, se deve aprender a diferença entre "Keri" e "Geri". 

Caso contrário... se pode acabar fazendo porcaria. (^_^) 

Leitura relacionada: Seja bem-vindo ao “Karate Nerd Insider™”.

# 7: Kiai 

Sentido mal compreendido: "Grito de batalha". 

Verdadeiro significado: "Unir energia". 

Explicação: Às vezes parece que as pessoas gritam "Kiai" apenas por gritar. 

Mas "Kiai" não se trata de gritar. Não se trata de exercitar as cordas vocais. 
  • “Ki[18]” significa, literalmente, “energia” (como discutimos no 2 #). 
  • “Ai[19]” significa, literalmente, “unir”. 
Isso ajuda a explicar qual é a real finalidade do Kiai: 

Unir toda a energia da sua mente, da sua técnica e do seu corpo ("Shingitai"), em uma fração de segundos, em um único momento. 

Para algumas pessoas, Kiai é apenas um "grito de batalha". E isso é bom. Sinceramente, acho que as pessoas precisam gritar mais no seu dia a dia. 

Porém, para mim, "Kiai" é uma expressão essencial da capacidade de “unir a energia” dentro de si mesmo. 

Mostre-me seu "Kiai"... 

... E eu lhe direi quem és. 

Leitura relacionada: O que cada Karateka deve saber sobre “Kiai!”

# 8: Rei 

Sentido mal compreendido: "Curvar-se". 

Verdadeiro significado: "Respeito". 

Explicação: O Karatedō contém uma grande quantidade de etiquetas, oriundas da cultura japonesa. 

Uma das coisas mais importantes é o "curvar-se"- vulgarmente conhecido como "Rei[20]". 

A palavra "Rei" vem da palavra japonesa "Reigi[21]", que significa "respeito, cortesia, (boas) maneiras". 

Porém, o "curvar-se" parece ter perdido muito da intenção de respeito nos dias de hoje, especialmente quando se olha para as pessoas que competem em Kumite. Parece mais com um aceno de cabeça desleixado. 

Acredito que "Rei" é uma parte integrante da etiqueta dos Dōjō. É uma manifestação física de sua gratidão por aqueles que o ajudam no Caminho. 

É por isso que se “curva” na entrada do Dōjō, bem como diante das pessoas dentro dele. 

(Muitas vezes dizemos "Onegaishimasu", ao mesmo tempo.) 

Sem respeito, não se pode progredir no Karatedō. 

Karatedō começa e termina com o respeito. 

Leitura relacionada: O significado de Onegaishimasu.

# 9: Kumite 

Sentido mal compreendido: "Combate / luta".

Verdadeiro significado: "Entrelaçar mãos".

Explicação: O conceito moderno de "Kumite" perdeu muito de sua essência. 

Hoje, quando se olha para a forma de praticar "Kumite", parece mais um jogo. 

Distante, caracterizado por paradas bruscas e recomeços, e desconectado. 

Porém, a intenção original de troca combativa entre dois praticantes de Karatedō era muito diferente. 

Veja, a palavra "Kumite[22]" na verdade significa "entrelaçados" ("Kumi[23]") + "mãos" ("Te[24]"). Não "luta", nem "treino" ou, ainda, "pular tentando marcar pontos". 

O conceito de “entrelaçar” as “mãos” com o adversário passa a ideia de uma distância muito mais próxima, não é? 

Curiosamente, se você olhar para a forma como os antigos mestres ensinavam Karatedō, muitas vezes a distância curta era enfatizada. A combinação de agarrar o seu adversário ao desferir golpes, chutes, socos, joelhadas, cotoveladas, chaves e quedas era simplesmente muito mais prática do que a nossa interpretação moderna do "Kumite". 

Claro, isso tudo mudou quando o Karatedō foi modernizado e se começou a competir. 

O que costumava ser uma grande técnica de luta hoje pode ser desqualificação. 


Significados incompreendidos: "Oi","olá","adeus","Ok","obrigado","desculpe-me","e aí!","venha aqui","vá ali","o que está acontecendo?", "olhe para mim","faça desta maneira","faça daquela forma","entendeu?","entendi", "treine duro", etc...

Verdadeiro significado: "Uma expressão cultural japonesa, de cunho masculino, áspera" (da qual muitos ocidentais abusam).

Explicação: Em primeiro lugar, se deve saber que "Osu[25]" é um assunto muito delicado.

Em segundo lugar, a grafia correta é "Osu". Mas devido o fato de que o "u" é silencioso, algumas pessoas pensam que é escrito "Oss".

Em terceiro lugar, não importa como se deseja soletrá-lo, deve-se entender que"Osu" expressa uma afirmação muito forte, masculinidade e o espírito japonês do tipo "vamos chutar seu traseiro". Não é uma palavra que se deve usar de forma descuidada.

Por exemplo, nunca se deve dizer a um japonês, a menos que ele seja mais jovem, inferior na hierarquia, ou queira que se diga. E se for mulher, não se deve dizê-lo em nenhuma circunstância. A sociedade japonesa é hierárquica e rigorosa com a etiqueta apropriada quando se trata de linguagem.

Aprendi essas coisas da maneira mais difícil, quando morava em Okinawa - o berço do Karatedō.

(Apenas para o registro, nunca ouvi ninguém dizer "Osu" em Okinawa. Jamais.)

Dito isto, esta expressão parece ter se tornado viral no mundo das artes marciais ocidentais - incluindo BJJ (Brazilian Jiu-Jitsu) e o MMA (Mixed Martial Arts).

Para um tradicionalista como eu, é bizarro ouvir "Osu" sendo usado por todos e todo o tempo. Especialmente quando não se sabe o verdadeiro significado.

Mas, ao mesmo tempo, entendo a necessidade de se ter uma palavra para todos os fins como que por camaradagem e pertencimento coletivo. Às vezes eu mesmo a uso.

Apenas certifique-se que você sabe como, quando, onde e por que deve usá-la.

Leitura relacionada: O significado de Osu (+ quando você nunca deve dizê-lo).

É isso aí! 

Aqui está o meu top 10 de palavras japonesas que quase todo mundo entende mal em Karatedō.

(Como # 11 teria incluído, ainda, "Kime[26][27]", mas já tenho escrito muito sobre isso.)

Concluindo, acredito que muitas vezes nos auto-enganamos por não entender completamente a terminologia japonesa utilizada em Karatedō.

Lembre-se - a aprendizagem eficiente é construída sobre teoria fundamentada.

Preste mais atenção às palavras que usa em Karatedō.

Algumas palavras podem percorrer um longo caminho...

Boa sorte!

---------------------------

Referências:

ENKAMP, Jesse. 10 Japanese Words Everyone Misunderstands in Karate. Disponível em: http://www.karatebyjesse.com/10-important-karate-words-japanese/. Acesso em: 8 de Fevereiro de 2016.

---------------------------

Tradução/Resumo/Adaptações:

Denis Augusto Cordeiro Andretta.

---------------------------

Notas:


[1]受け  UKE 【うけ】(úquê) Receber, acolher, defesa, proteção.

[2]受ける UKERU 【うける】(úquêrú) Receber.
[3]気   KI 【き】(quí) Energia, força, vitalidade, etc...
[4] Ki é o ideograma chinês Qì. Mesmo que as traduções dos dicionários japoneses apontem para o termo “espírito”, “mente”, etc... o seu real significado vem da China, onde Ki tem o sentido de ser "a energia que percorre o corpo humano" e que é tratada há milhares de anos pela medicina tradicional chinesa.
[5]先   SEN 【せん】(ssên) Antes, antes que, anterior, prévio.
[6]生   SEI 【せい】(ssêê) Vida, existência, nascimento, natalidade.
[7]先生  SENSEI 【せんせい】(ssênssêê) (Aquele que veio a) vida antes, (aquele que veio a) existência antes, (aquele que) nasceu antes, (aquele que teve a) natalidade antes.
[8]分解  BUNKAI 【ぶんかい】(búncáí) Análise, decomposição, desmontagem.
[9]分   BUN 【ぶん】(bún) Parte, fração, fragmento, segmento.
[10]解   KAI 【かい】(cáí) Desemaranhar, explicação, compreensão, entendimento.
[11]意味  IMI 【いみ】(ímí) Significado, sentido, propósito.
[12]道場  DŌJŌ 【どうじょう】(dôdjô) Lugar do caminho, lugar da via.
[13]道   DŌ 【どう】(dô) Caminho, via.
[14]場   JŌ 【じょう】(djô) Local, lugar.
[15]蹴り  KERI 【けり】(quêri) Chute, pontapé, patada.
[16]蹴る  KERU 【ける】(quêrú) Chutar, dar pontapés.
[17]下痢  GERI 【げり】(guêrí) Diarreia.
[18]気   KI 【き】(quí) Energia, vitalidade, força de vontade.
[19]合   AI 【あい】(áí) Reunir, unir, juntar.
[20]礼   REI 【れい】(rêê) Expressão de gratidão, etiqueta, reverência, saudação, cumprimento, saudar, cumprimentar.
[21]礼儀  REIGI【れいぎ】(rêêguí) Respeito, maneiras, conduta, cortesia, educação, etiqueta.
[22]組手  KUMITE 【くみて】(cúmítê) Entrelaçar mãos, juntar mãos, unir mãos.
[23]組   KUMI 【くみ】(cúmí) Entrelaçar, juntar, unir.
[24]手   TE 【て】(tê) mão, mãos.
[25]押忍  OSU【おす】(ôss) Esforçar-me-ei!, Farei o que me é mandado (apesar de tudo).
[26]極める KIMERU 【きめる】(químêrú) Decidir.
[27]決め手 KIMETE 【きめて】(químêtê) Fator decisivo.