sábado, 17 de setembro de 2016

O nome do Karatedō

Você sabe como o Karatedō tem este nome? 

É uma história muito interessante...

A maioria das pessoas pensa que o Karatedō é uma arte marcial muito antiga.

Porém, na realidade, o “Karatedō” tem menos de 100 anos.

Inclusive o seu nome.

Faixas, fileiras, uniformes, terminologia, graduações, estilos, etc, também são invenções modernas.

No entanto, apesar de sua relativa juventude, o Karatedō possui muitos fatos mal interpretados que escodem suas origens, sua profundidade e sua essência reais.

Por exemplo, o próprio nome “Karatedō” em si.

Deixe-me explicar:

O Karate vem de Okinawa, uma pequena ilha localizada ao sul do Japão.

Okinawa foi um importante centro comercial entre muitos países asiáticos, tais como> Tailândia, Birmânia, Filipinas, Taiwan e Coréia.

Mas…

O principal país com o qual Okinawa mantinha contato era a China.

A cultura chinesa era considerada superior, melhor, mais sofisticada...

Cada pessoa, ideia ou produto que vinha da China para Okinawa era tratado com o máximo de respeito – inclusive suas artes marciais.

As artes marciais chinesas eram chamadas de “Tōde” pelos habitantes de Okinawa.

Tōde (Tōdi também escrito, Tuidi, Tōte, etc.) significa literalmente "mão chinesa" na língua de Okinawa.


Agora preste atenção:

O primeiro caractere (“Tō”) também pode ser pronunciado “Kara” em japonês.

Por quê? Porque caracteres japoneses podem ter várias pronúncias.

Aqui é onde a nossa história toma um rumo interessante...

Veja, depois de cultivar “Tōde” por muitos anos em Okinawa, um punhado de praticantes locais (entre eles: Gichin Funakoshi, Kenwa Mabuni, Chōjun Miyagi, Chōki Motobu, etc.) queria espalhar esta arte no Japão continental.

Infelizmente, o Japão estava em conflito histórico com a China neste período.

Tudo o que tinha conexões com a China não agradava os japoneses.

Assim…

A fim de tornar “Tōde” aceito pelo público japonês, várias coisas tinham que mudar.

Inclusive o nome.

O primeiro caractere (“Tō” / “Kara”) foi substituído por um caractere alternativo - também pronunciado “Kara” - mas com o significado “vazio” em vez de “chinês”.


Bingo!

"Mãos chinesas" tornou-se "mãos vazias".

Em 25 de Outubro, em 1936, às 4 da tarde, uma reunião histórica, foi realizada pelos mestres de Okinawa, onde oficialmente se decidiu mudar o nome de “Tōdi” para “Karate”.

Foi acordado que “Karate” seria mais fácil de promover no Japão continental.


O Karate moderno nasceu.

Na verdade, o “Karate” não era apenas mais fácil de pronunciar em japonês, mas também fazia mais sentido para o público em geral, como o seu novo significado ("mãos vazias") ficava mais alinhado com a filosofia em busca de paz da sociedade japonesa moderna.

Por fim, a terminação “Dō” foi adicionada.

"Dō" é a palavra japonesa para 'Caminho' / Via, e significava que o Karate era uma trilha filosófica... um modo de vida – e não apenas um método de combate.

Bam!

Desta maneira a arte da mãos vazias foi criada.

A arte de defesa pessoal, Tōdi, de raízes chinesas, foi substituída pela arte japonesa de autodesenvolvimento, de valores, do Karatedō.

E é assim que o Karatedō chegou ao seu nome atual.

Não é fascinante?

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Referências:

ENKAMP, Jesse. How Karate Got Its Name. Disponível em: http://www.karatebyjesse.com/karate-name-meaning/. Acesso em: 17 de Setembro de 2016.

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Tradução/Resumo/Adaptações:

Denis Augusto Cordeiro Andretta.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Seminário Técnico da Associação Shitōkai do Brasil

Nos dias 5 e 6 de Março de 2016, aconteceu o primeiro Seminário Técnico da Associação Shitōkai do Brasil. O treinamento foi realizado na Academia Koi Fitness, Honbu Dōjō da Associação Shitōkai do Brasil, sob a responsabilidade do Jun-shihan Rogério Saito, Diretor Técnico em nível nacional. 

Participaram do evento Faixas Pretas e Faixas Marrons oriundos de diversas partes do Brasil, tais como: Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (Interior e Capital).

Como já é um costume dentro dos encontros realizados dentro da Shitōkai, seja em nível nacional ou internacional, a convivência entre os membros demonstrou um clima familiar onde se busca o crescimento de todos através da disponibilização de referências técnicas e teóricas, baseadas no conhecimento repassado pelos diversos mestres existentes dentro da escola Shitōkai, que tem como expoente máximo nas Américas o Kyōshi Shōkō Satō.

A Associação Gaúcha de Karatedō Shitōryū marcou presença no treinamento através do seu Diretor Técnico, Denis Andretta, e dos graduados David Chimango e Rafael Ilhescas.

O Presidente da Associação Shitōkai do Brasil, Ivonei Dambros, e o Diretor Técnico, Rogério Saito, como sempre mostraram um conhecimento impar acerca do Karatedō Shitōryū e, da mesma forma, receberam os representantes oriundos de diversas localidades de forma muito acolhedora, dando toda a atenção possível e necessária a cada uma das delegações.

O Seminário Técnico foi dividido em três etapas, no Sábado, pela manhã e pela tarde e no Domingo pela manhã. Apontamento de referências, discussões teóricas para fundamentar a prática, participação e respeito ao conhecimento e aos questionamentos de todos, ensino e aprendizagem... resumem os aspectos abordados durante todos os treinamentos.

Em complementação e aproveitando a presença dos Representantes Oficiais da Associação Shitōkai do Brasil de todo os país, também foi realizada a Assembleia Geral da Entidade, no Sábado à noite. O relato e a avaliação do trabalho realizado no ano que passou, propostas de trabalho para este ano, realização e participação em eventos foram alguns dos temas abordados durante a reunião.
“Fantástico! Palavras não podem descrever a sensação, o clima, vivenciado durante os encontros dos membros da Associação Shitōkai do Brasil. Rever velhos amigos, fazer novas amizades, e o mais importante... aprender com todos... são vivências que não tem preço. 
Sinto-me honrado com a atenção, a recepção e o respeito com que o Jun-shihan Rogério Saito demonstra a cada vez que nos encontramos. Sou profundamente agradecido pelos seus aconselhamentos, correções e pelo reconhecimento do nosso trabalho aqui no Rio Grande do Sul. 
Estar ao lado de meu Sensei, Ivonei Dambros, trocar ideias, ouvir seus relatos, usufruir de seus conhecimentos, são sempre uma experiência única. 
Retornei a Porto Alegre, no Domingo, ansioso pela chegada do mês de Junho de 2016, quando os professores Ivonei Dambros e Rogério Saito estarão em nossa cidade em função da realização de uma das etapas do Campeonato Brasileiro de Karate. Com certeza, organizaremos um treinamento para aproveitar a presença de ambos.” (Andretta, Denis)
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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Kobudō

O estudo das antigas armas relacionadas com as artes marciais tem resultado, com o passar dos séculos, no desenvolvimento de uma variedade de escolas, sistemas e estilos.

Os habitantes do arquipélago Ryūkyū, antigo nome de Okinawa, chamavam esta prática de "Kobujutsu", arte que com o passar dos anos passou a ser denominada "Kobudō".

Traduzindo literalmente a palavra, temos:
  • Kanji: 古武道
  • Romaji: Kobudō
  • Hiragana: こぶどう
  • Tradução: “via marcial antiga”, “caminho marcial antigo”.
  • Leitura: “côbúdôô”.
Há cerca de 400 anos, o Japão começou a assumir o controle sobre as ilhas Ryūkyū. Um dos éditos promulgados na época forçava toda a população do arquipélago a entregar suas armas aos japoneses. A lei proclamada ordenava especificamente que "todas as armas" fossem entregues as autoridades.

Sendo assim, os habitantes de Ryūkyū passaram a usar "implementos agrícolas" como armas, as quais se treinavam a eficiência as ocultas. Com o passar do tempo estes especialistas em "armas", se tornaram à força mais temida na luta pela liberdade no arquipélago. 

Em 1879 o Reino Ryūkyū foi extinto e substituído pela Prefeitura de Okinawa pelo governo japonês. A “nova” Okinawa, com o passar dos anos, passou por um processo de revolução industrial e a maior parte destes rudes implementos agrícolas foi substituída por instrumentos mecânicos. 

Contudo, a história destas armas continua viva como parte da rica tradição das artes marciais do arquipélago, onde representam um importante papel.

Desde tempos remotos, o Karatedo e o Kobudo caminham em comunhão. Sendo assim, os praticantes atuais de Karatedō, como seus predecessores, continuam aperfeiçoando técnicas de armas através das formas (Kata) em uma arte marcial praticada paralelamente e nesta arte conhecida como Kobudō, especificamente destinada a aumentar a eficiência de movimentos direcionais, alinhamento corporal, equilíbrio, graça e coordenação entre o corpo e a arma, pois uso de armas exige uma integração harmoniosa entre a arma e a pessoa que a maneja, como se fosse a arma uma extensão de seu próprio corpo e nunca um "apêndice".

A prática do Kobudō, embora não faça formalmente parte do Karatedō, é dele inseparável sob o ponto de vista histórico. Os Karateka estão, de uma forma ou outra, envolvidos com a prática do Kobudō. 
“Karatedō e Kobudō são como as duas rodas de uma bicicleta. Estão separados, mas funcionam de acordo com os mesmos princípios. Para serem úteis, têm que trabalhar juntos.” (Fumio Demura)
A diferença entre as duas práticas tem sido a de que, historicamente, a prática do Kobudō não foi tão sistematizada quanto a do Karatedō. Porém, o surgimento de várias associações desta arte marcial, com o passar do tempo, tem se iniciado uma tendência de sistematização no treinamento das técnicas e Kata a ponto de, mesmo, terem sido incorporados a alguns dos sistemas tradicionais de Karatedō existentes, tais como: Shōrinryū, Shitōryū, Gōjūryū, Isshinryū, etc...

As principais armas tradicionais do Kobudō de Okinawa são: Bō, Sai, Tonfā, Kama, Nunchaku, Suruchin, Jiifā, Uēku, Tekkō, Techū, Tinbē e Rōchin.